Desde julho, diferentes regiões do Ceará têm recebido os Encontros Regionalizados de Integração do SUS, SUAS e SISAN, promovidos pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria da Proteção Social (SPS) e da Coordenadoria de Segurança Alimentar e Nutricional, com execução do Instituto de Arte e Cidadania (IAC).
A iniciativa integra as ações de Segurança Alimentar e Nutricional desenvolvidas no Estado e tem como objetivo fortalecer a articulação entre as políticas de Saúde, Assistência Social e Segurança Alimentar e Nutricional, promovendo espaços de diálogo, formação, troca de experiências e construção conjunta de estratégias voltadas às necessidades de cada território.
Ao longo do ciclo, os encontros passaram por Itapipoca, Viçosa do Ceará, Varjota, Barbalha, Tamboril, Iguatu, Itarema, Limoeiro do Norte e Quixadá, reunindo gestores, técnicos e representantes dos municípios das respectivas regiões. Nesta semana, o ciclo chega à etapa final com encontros realizados em Fortaleza e Baturité, consolidando uma agenda que percorreu diferentes territórios do Estado.
Integração que fortalece as políticas públicas
A articulação entre as políticas públicas ganha ainda mais importância diante dos avanços e dos desafios identificados nos indicadores nacionais de segurança alimentar. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) – Segurança Alimentar 2024, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a parcela de domicílios brasileiros em situação de segurança alimentar passou de 72,4% em 2023 para 75,8% em 2024.
No mesmo período, o percentual de domicílios que vivenciavam algum grau de insegurança alimentar caiu de 27,6% para 24,2%, o equivalente a uma redução de cerca de 2,2 milhões de domicílios nessa condição. O levantamento também aponta queda nos três níveis de insegurança alimentar: leve, moderada e grave.
Os resultados mostram avanços importantes, mas também reforçam a necessidade de manter e aperfeiçoar políticas públicas capazes de garantir o Direito Humano à Alimentação Adequada, especialmente nos territórios onde as desigualdades ainda são mais presentes. Apesar dos avanços nacionais, os dados também evidenciam desigualdades regionais. Na Região Nordeste, a proporção de domicílios em situação de segurança alimentar chegou a 65,2% em 2024. No mesmo período, 22,5% dos domicílios apresentavam insegurança alimentar leve, 7,5% moderada e 4,8% grave.
É nesse cenário que a integração entre SUS, SUAS e SISAN ganha papel estratégico. A atuação conjunta permite compreender a segurança alimentar não apenas como acesso à comida, mas como uma agenda que envolve saúde, renda, assistência social, educação, produção de alimentos, agricultura familiar e desenvolvimento dos territórios.
Para Dayana Alencar, colaboradora do Instituto de Arte e Cidadania e técnica do projeto, os encontros são importantes para aproximar as políticas públicas e fortalecer a atuação dos profissionais que trabalham diretamente nos municípios. “Os encontros regionalizados são fundamentais porque aproximam as diferentes políticas e os profissionais que estão na ponta, permitindo identificar desafios, compartilhar experiências e construir caminhos de forma integrada. A Segurança Alimentar e Nutricional não é uma responsabilidade isolada. Ela precisa estar articulada à saúde, à assistência social e às demais políticas públicas para que possamos garantir direitos e promover melhores condições de vida para a população”, destaca Dayana.
Ceará amplia ações de combate à fome
No Ceará, os avanços também podem ser observados na expansão das políticas de enfrentamento à fome e promoção da Segurança Alimentar e Nutricional. Segundo balanço apresentado pelo Governo do Estado na Mensagem à Assembleia Legislativa de 2025, referente às ações realizadas em 2024, mais de 300 mil pessoas saíram da extrema pobreza. No mesmo período, o Ceará Sem Fome alcançou a marca de 130 mil refeições distribuídas diariamente por meio de uma rede de 1.300 cozinhas nos 184 municípios cearenses, além de beneficiar mensalmente 53 mil famílias com o Cartão Ceará Sem Fome. O IAC também participa da execução do programa, com atuação na gestão de 35 cozinhas em Fortaleza.
A política estadual combina ações de transferência de renda, com cursos de qualificação profissional, oferta de refeições e outras estratégias de proteção social, demonstrando a importância de uma atuação articulada para ampliar o acesso regular e permanente a alimentos de qualidade.
Construção coletiva nos territórios
Mais do que momentos de formação, os Encontros Regionalizados de Integração do SUS, SUAS e SISAN constituem espaços de escuta, diálogo e construção coletiva, valorizando as especificidades de cada região e o conhecimento dos profissionais que atuam diretamente junto à população.
A passagem pelos diferentes municípios também possibilitou identificar experiências, desafios e potencialidades locais, fortalecendo a perspectiva de que políticas públicas mais efetivas são construídas a partir da articulação entre diferentes áreas e da compreensão das realidades de cada território.
Com o encerramento desta etapa em Fortaleza e Baturité, o ciclo deixa como resultado o fortalecimento de uma rede de gestores, técnicos e instituições comprometidos com a promoção da Segurança Alimentar e Nutricional no Ceará.
A atuação do Instituto de Arte e Cidadania (IAC) na execução do projeto reafirma seu compromisso com o fortalecimento das políticas públicas, a promoção da cidadania e a garantia do Direito Humano à Alimentação Adequada.
Ao reunir diferentes atores e políticas públicas em torno de uma agenda comum, os Encontros Regionalizados contribuem para fortalecer estratégias de enfrentamento à insegurança alimentar e ampliar a articulação entre os municípios, considerando as especificidades e potencialidades de cada território.