Nos primeiros anos de vida, cada estímulo conta. Para a avó atípica acompanhada pelo Primeira Infância no SUAS - Criança Feliz, desde o primeiro ano do neto, esses pequenos gestos se transformaram em grandes avanços. Entre visitas semanais, orientações e atividades lúdicas, ela viu a criança se desenvolver muito além do que imaginava — e descobriu, na primeira infância, uma janela decisiva de possibilidades, esperança e futuros possíveis.

A história de Gael e Sandra Maria revela como o acompanhamento contínuo, carinhoso e especializado pode fortalecer vínculos, reduzir desigualdades e garantir que cada criança tenha um começo de vida mais justo. E, no caso deles, mais amoroso também.

Quando Gael nasceu, a rotina de Sandra era cercada de dúvidas. Como avó e cuidadora atípica, ela enfrentava desafios diários: o cansaço físico, a responsabilidade de cuidar sozinha e o medo silencioso de não conseguir oferecer ao neto tudo o que ele precisava. No coração, o desejo de acertar. Foi nesse cenário que o Programa Primeira Infância no SUAS – Criança Feliz entrou na vida da família, trazendo orientação e acolhimento.

Sandra conheceu o programa por meio de Francisca Denice, apoio técnico assistencial do programa, moradora do Alameda das Palmeiras, o mesmo residencial onde vivem a criança e a avó. Denice apresentou o programa, explicou cada etapa, e, a partir daí, os encontros passaram a fazer parte da rotina — uma rotina que logo começou a se transformar.

A importância da primeira infância

Os visitadores explicam que os primeiros anos são determinantes para o desenvolvimento humano. É nessa fase que o cérebro mais cresce, que os vínculos se consolidam e que habilidades motoras, cognitivas e socioafetivas começam a se formar. Cada brincadeira, cada estímulo, cada troca de olhar tem impacto direto no futuro.

Sandra, antes receosa, foi descobrindo que pequenos gestos cotidianos — conversar, cantar, brincar com o que tinha em casa — podiam abrir portas no desenvolvimento de Gael.

Transformações percebidas

Com o apoio do programa, a avó aprendeu a transformar o cotidiano em oportunidades de crescimento. Ela lembra de um momento marcante:

“Tem vários momentos marcantes, mas o que mais me marcou foi quando ela chegou aqui em casa e conseguimos fazer com que ele a abraçasse. Estávamos num processo de fazê-lo dar tchau. Em seguida fomos para o abraço… quando conseguimos foi um dos momentos que me deixou mais feliz”.

Segundo Sandra, a criança não gostava de abraços.

O gesto simples — um abraço — se tornou a prova viva de que Gael estava despertando para o mundo, atravessando barreiras e abrindo caminhos.

Segundo a equipe técnica do programa, o caso dela ilustra exatamente o objetivo do Criança Feliz: orientar as famílias para que se tornem protagonistas no desenvolvimento dos seus filhos.

Acompanhamento especializado

Desde o primeiro ano da criança, a visitadora acompanhou cada etapa: o primeiro sorriso, as tentativas de engatinhar, os balbucios, as primeiras interações. Para a equipe, começar cedo fez toda a diferença.

Para Francisca Denice, apoio técnico assistencial do Programa Criança Feliz, o acompanhamento desde a primeira infância é vital: “A gente vê o caso específico da Sandra junto com o Gael porque existe um vínculo bem fortalecido. Graças a esse vínculo, mesmo sem terapia clínica, foi o que ajudou a potencializar esse efeito.”

Ela reforça que as atividades desenvolvidas foram essenciais: “Ele estava muito no mundo dele, e através das brincadeiras, atividades, ele despertou, evoluiu. E a perseverança da avó também foi essencial.”

O programa trabalha aspectos cognitivos, motores e afetivos de forma integrada, respeitando o tempo da criança e a realidade da família — e foi exatamente essa combinação que abriu novas possibilidades para Gael.

Fortalecimento de vínculos

Além dos avanços no desenvolvimento da criança, Sandra destaca como o programa a ajudou a se aproximar ainda mais do neto: “Ele tem um vínculo de mãe comigo, desde que chegou aqui em casa. Meu maior desejo é fortalecer ainda mais por meio da interação falada. Tenho certeza que com toda essa evolução até hoje, a gente chegará lá.”

A mãe de Gael e filha de Sandra o teve muito cedo e precisou se ausentar da criação — e foi no colo da avó que a criança encontrou proteção, rotina, cuidado e mundo.

Hoje, Sandra carrega outro sonho no peito: além de vê-lo falar, deseja também vê-lo escrever. Imagina o dia em que Gael, com as mãos pequenas e firmes, vai registrar no papel as palavras que hoje ela tanto sonha em ouvir. Para ela, seria mais do que uma conquista: seria a prova de que cada batalha valeu a pena.

A relação entre os dois foi se transformando. Hoje, ela se sente mais segura, mais conectada e reconhece seu papel fundamental nesse início de vida.

A trajetória dessa família mostra que o investimento na primeira infância não é apenas uma política pública — é uma forma de garantir que cada criança tenha a chance de se desenvolver plenamente. Para essa avó atípica, o Criança Feliz, o programa executado com cuidado e carinho pelo IAC-CE, em parceria com a Secretaria de Direitos Humanos e Desenvolvimento Social de Fortaleza (SDHDS), não ofereceu apenas orientação: ofereceu esperança, possibilidades e um novo olhar para o futuro de Gael. Um futuro onde ele possa falar, escrever, abraçar — e seguir crescendo cercado de afeto.